Na terceira palestra do dia, o médico ortopedista e especialista em cirurgia da coluna vertebral, Juliano Coelho, fundador do Instituto Coluna Reta; compartilhou com o público uma abordagem inovadora sobre o impacto da gestão cirúrgica na eficiência assistencial, com o tema “Cirurgia de Coluna: Eficiência e impacto na Gestão Assistencial”. A apresentação trouxe os resultados do primeiro ano de sua consultoria junto à Unimed Ferj e reforçou que, quando bem gerido, o cuidado especializado pode ser tecnicamente mais eficiente e economicamente mais sustentável.
Em sua apresentação, Coelho recordou sua participação, há um ano, no 32° Simpósio das Unimeds do Estado do Rio de Janeiro (SUERJ), quando iniciou o trabalho de consultoria junto à operadora. “Começamos em um cenário desafiador, com um mercado complexo, enfrentando forte pressão por parte dos fornecedores de Órteses, Próteses e Materiais Especiais (OPME), além da urgência por reorganizar fluxos, racionalizar despesas e melhorar os resultados clínicos. Existe uma operação gigante rodando, onde é preciso lidar com um mercado que vem agindo com grande animosidade em relação aos pedidos da operadora. O nosso desafio é manter a calma diante dos fatores externos. Trata-se de um mecanismo muito voraz essa relação que existe entre o hospital, o médico, o fornecedor e o cliente”, ressaltou.
Para enfrentar esse cenário, foram estabelecidas metas claras e estratégicas, como o mapeamento de médicos e fornecedores; o alinhamento prévio dos pedidos médicos; maior agilidade nas autorizações e agendamentos; um processo de pagamento mais criterioso; e o mapeamento dos serviços credenciados. Um dos primeiros marcos foi o levantamento de 54 médicos ortopedistas e neurocirurgiões, junto com 27 empresas fornecedoras de OPME, que compõem a base inicial de análise e controle.
“Mapeamos os médicos para identificar quantos preceptores de cirurgia de coluna a Unimed Ferj tinha. Identificamos 200 profissionais, e eu precisava conversar e me apresentar pessoalmente. Todos foram chamados e conversamos olho no olho. O processo era muito simples. Eu conheci todos eles e me apresentava, querendo saber se era ortopedista especialista de coluna ou neurocirurgião. Isso é importante, pois hoje, o maior volume de cirurgias de colunas que existe nas operadoras, vem exatamente de colegas ortopedistas que não são especialistas e encaminham pedidos de forma equivocada”, pontuou.
Entre os principais avanços, Coelho destacou a criação de um modelo de alinhamento prévio do pedido médico, incluindo a definição de fornecedor de preferência e a padronização de códigos sugeridos pela Sociedade Brasileira de Coluna (SBC), permitindo uma avaliação direta e técnica dos pedidos médicos e o estabelecimento de um canal de comunicação aberto entre médicos, operadora e fornecedores. No alinhamento com fornecedores, foram mencionados o pedido médico “sem leilão”, budget competitivo, maleabilidade em casos pontuais e um canal de comunicação aberto.
Outro ponto de destaque foi a agilidade no processo de autorização e agendamento das cirurgias, com fluxos paralelos integrando auditoria, análise de elegibilidade, cotação de OPME e liberação de guias, garantindo maior fluidez sem comprometer a segurança assistencial. “Mesmo com as intempéries, temos conseguido trabalhar a volumetria de forma consistente”, afirmou.
Durante a palestra, Juliano também compartilhou detalhes sobre o projeto ‘School Screening’, uma iniciativa de rastreio precoce da escoliose em ambientes escolares. O fluxo envolve autorização familiar, transporte até centros parceiros, captação de imagem em formato “arena”, análise por especialistas do Instituto Coluna Reta e diagnóstico clínico com base em raio-X. O projeto está em curso em Volta Redonda e tem obtido resultados promissores.
“Três a cada cinco crianças terão escoliose, e quanto mais cedo o diagnóstico, maior a chance de tratamento efetivo e menos invasivo. O Instituto Coluna Reta está investindo em tecnologia para prevenção digital, com a captação de imagens feita pelos próprios pais por meio de aplicativos, o que viabiliza diagnóstico precoce, tratamento em tempo oportuno e redução de custos — com até 22% de economia em comparação às consultas presenciais”, comentou o ortopedista, que encerrou sua fala reforçando que médicos e gestores não devem ser vistos como lados opostos.
“Gestão eficiente é fazer muito com pouco. Gestores e médicos precisam trabalhar juntos, pois transformam custo em valor. O diálogo, a transparência e a padronização de critérios técnicos são os pilares para um sistema mais sustentável e centrado no paciente”, concluiu.
Confira aqui a entrevista com o Juliano Coelho.