O aumento expressivo de casos de doenças crônicas tem colocado à prova a capacidade de resposta da saúde suplementar. Nesse cenário, a Atenção Primária à Saúde (APS) surge como um modelo capaz de reorganizar o cuidado e gerar melhores resultados assistenciais. Esse foi o tema central da mesa-redonda, realizada no segundo dia do Fórum Unimed Ferj, conduzida pela gerente assistencial da Unimed Juiz de Fora, Bárbara Sperandio, com mediação do conselheiro fiscal da Unimed Petrópolis, Marcos Fernandes, e a participação da coordenadora médica da Unimed Volta Redonda, Márcia Groke.
Durante a apresentação, Sperandio compartilhou a experiência da Singular com a implementação da APS, iniciada em 2016, que resultou na inauguração da primeira unidade em 2017. Com mais de 130 mil clientes e cerca de 1,4 mil cooperados, a Unimed Juiz de Fora optou por mudar o modelo assistencial diante da necessidade de reestruturar o cuidado e enfrentar desafios como o alto número de subespecialistas e a mudança cultural no relacionamento com pacientes e médicos.
A gerente destacou pontos-chave da implantação, como capacitação das equipes; envolvimento dos setores; estruturação do modelo como produto; e engajamento da Diretoria Executiva. Também apresentou o ecossistema da cooperativa, que inclui hospitais, núcleos de atendimento, saúde bucal, centro de terapias e outros serviços integrados.
“Nós observamos um impacto direto na jornada do paciente, com a equipe multiprofissional atuando em todas as etapas do cuidado, seja no hospital, em atendimentos eletivos ou em demandas espontâneas. Isso permite coordenar o cuidado de forma humanizada, preventiva e eficiente, gerando resultados positivos, tanto para o paciente quanto para a cooperativa”, pontuou Bárbara.
Na ocasião, destacou-se que o foco inicial foi direcionado ao atendimento dos colaboradores, que também são beneficiários, contendo cerca de 735 vidas, o que permitiu testar o modelo e acompanhar de perto os indicadores de desempenho. Entre os resultados, ela ressaltou o cuidado integral, humanizado e multidisciplinar, com médico de referência, protocolos gerenciados e prontuário eletrônico, além de iniciativas específicas voltadas à saúde mental dos beneficiários. A remuneração dos profissionais também foi adaptada, combinando capitation com parte variável atrelada a indicadores, como consultas realizadas pelo médico de referência, encaminhamentos e satisfação dos clientes.
Por fim, a especialista ainda reforçou que a mudança de cultura é um dos maiores desafios do processo e que a adesão da diretoria foi essencial para consolidar a APS como estratégia sustentável, capaz de promover uma assistência mais resolutiva e centrada no paciente.
Confira aqui e assista a entrevista com a Bárbara Sperandio.
Assista aqui e confira a entrevista com o Marcos Fernandes.