Palestra destaca práticas de humanização no tratamento do câncer e sustentabilidade na gestão oncológica 

Na segunda parte da mesa-redonda “Tratamentos de Alto Custo: Centros Especializados como Estratégia de Sustentabilidade”, mediada pelo diretor de Mercado da Unimed Ferj, José Marcos Pilar, a oncologista e diretora técnica do Espaço Cuidar Bem da Unimed Ferj, Lívia Moura, ministrou a palestra “Práticas de Humanização no Tratamento do Câncer”, trazendo reflexões profundas sobre a jornada do paciente oncológico e os desafios enfrentados pelos sistemas de saúde, diante dos altos custos e da crescente complexidade das terapias disponíveis. 

Em sua apresentação, a palestrante abordou a importância de unir a humanização do cuidado à eficiência da gestão assistencial. “A sustentabilidade em oncologia não deve ser entendida como simples contenção de gastos, mas sim como a capacidade de garantir que cada paciente viva seu tratamento com dignidade, esperança e cuidado integral. Antes encarado quase como algo irremediável, o câncer é tratável e muitas vezes curável. Hoje, por ser uma das doenças crônicas de maior impacto global, traz consigo novos desafios, como o crescimento exponencial dos custos com terapias avançadas, imunoterapias e CAR-T — e que podem ultrapassar R$ 2,5 milhões por paciente — pressiona os sistemas de saúde e torna urgente o debate sobre acesso universal e racionalização dos recursos”, disse. 

Lívia também apresentou dados que evidenciam como uma pequena parcela de medicamentos representa a maior parte dos gastos em oncologia. Esses custos são frequentemente dominados por poucos fabricantes, com patentes exclusivas e preços elevados. Um dos exemplos citados foi o Keytruda, que sozinho representa cerca de 90% das vendas oncológicas globais de sua fabricante em 2024, com aplicações que podem custar até R$ 60 mil a cada 21 dias. “É necessário refletir sobre como esses custos são aprovados e sustentados, especialmente em sistemas públicos”, pontuou. 

A palestrante ainda defendeu os centros especializados em oncologia como estratégia essencial de gestão, por reunirem equipes multiprofissionais qualificadas, protocolos clínicos bem definidos e capacidade de negociação em escala. Esses centros possibilitam melhor monitoramento do cuidado, redução de desperdícios e maior eficiência na utilização de recursos. “O diferencial está na humanização como ferramenta estratégica. Práticas que colocam o paciente no centro do cuidado promovem melhor adesão ao tratamento, diminuem o abandono, evitam internações desnecessárias e contribuem para a sustentabilidade do sistema como um todo. Humanizar é integrar. É cuidar do corpo, da mente e do contexto de vida do paciente. E isso melhora os resultados clínicos, econômicos e, principalmente, humanos”, concluiu. 

Confira aqui a entrevista realizada com Lívia Moura.