Iniciando o segundo dia de Fórum, o médico pediatra na área de Desenvolvimento e Comportamento Infantil da Unimed Mercosul, Renato Coelho, e a diretora técnica do Espaço Cuidar Bem, da Unimed Ferj, Lívia Moura, participaram da mesa-redonda “Tratamentos de Alto Custo: Centros Especializados como Estratégia de Sustentabilidade”, mediada pelo diretor de Mercado da Unimed Ferj, José Marcos Pilar.
Em sua fala, Coelho dissertou sobre o tema “Um debate sobre a Jornada no Cuidado do Transtorno do Espectro Autista (TEA)” e trouxe uma reflexão, além de seu testemunho, abordando os principais desafios enfrentados por famílias, profissionais e operadoras de saúde na construção de um cuidado efetivo e humanizado para pessoas com TEA. “Falando do autismo do passado e do espectro autista de hoje, passamos por mudanças de conceito, de prevalência, de número de casos, além de alterações nos nomes e causas. Os critérios de diagnóstico têm sido um grande modificador trazido pela ciência nos últimos anos. Deixamos o modelo categórico do tipo ‘é’ ou ‘não é’ e passamos para uma abordagem dimensional. Por isso usamos o termo espectro, com uma análise mais ampla”, frisou.
Segundo o expositor, ao longo do tempo, muitas mudanças ocorreram em relação ao diagnóstico, e hoje, dentro do transtorno do neurodesenvolvimento, o espectro autista nunca aparece sozinho. “Os manuais de classificação utilizados atualmente tentam, de forma didática, classificar os problemas da saúde mental em diferentes áreas, já que raramente surgem de forma isolada. Geralmente o diagnóstico do espectro autista vem associado a outros problemas reais da saúde mental, que são as comorbidades”, pontuou o médico, que explicou alguns desafios para o diagnóstico.
“O TEA é um transtorno do neurodesenvolvimento infantil, e não uma doença. O processo diagnóstico é essencialmente clínico e observacional. É indispensável conhecer o desenvolvimento típico de uma criança para então poder reconhecer os desvios. O TEA não possui um marcador diagnóstico específico, o que torna a avaliação subjetiva em muitos casos. Atualmente, se avaliarmos um número considerável de crianças, podemos afirmar com segurança que muitas apresentariam traços do espectro autista sem terem um diagnóstico formal de TEA, entrando na chamada zona cinza”, frisou.
Ao tratar das estratégias de intervenção, o pediatra enfatizou a importância de um plano individualizado de tratamento (PTI), com participação ativa da família e atenção às comorbidades associadas. As abordagens convencionais incluem terapias como fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicologia e, quando necessário, apoio farmacológico.
No contexto da gestão em saúde, Coelho discutiu os diferentes modelos adotados pelas operadoras com seus serviços próprios em comparação às redes credenciadas. “Enquanto os serviços próprios oferecem maior controle de custos e padronização de atendimentos, tendo investimento inicial elevado, com retorno a médio prazo, agenda com ociosidade e dificuldade na retenção de profissionais, a rede credenciada, por sua vez, apresenta maior diversidade de terapias e profissionais, embora com menor controle no gerenciamento operacional e financeiro”, disse.
A palestra foi encerrada com reflexões sobre o conceito de Value-Based Healthcare (VBHC), ou saúde baseada em valor. “Devemos focar no desfecho do cuidado, ou seja, nos resultados reais para o paciente e sua experiência ao longo do processo. O valor está no impacto e não no volume de atendimentos. É necessário racionalizar custos sem renunciar à qualidade e à personalização no tratamento”, concluiu.
Acesse aqui a entrevista realizada com o Renato Coelho.